Dizem que é fácil falar de amor e dor. E que eu só falo disso. A verdade é que é estranho se sentir limitado a ter o que falar. Isso é o que eu sei, ou o que eu acho que sei, ao menos. As pessoas não entendem. Sim, pode parecer clichê, além de parecer ser todo aquele discurso de “menininha-sofrida-que-mora-no-fim-do-mundo-e-reclama-de-querer-muito-mais”. É uma pena desapontá-los, mas não, não é isso.
Me sinto como uma pessoa que, no fim das contas, nasceu para viver só. Palavras de conforto não vão ajudar. Eu sou chata, desconfiada, e extremamente exigente comigo mesma. Eu quase nunca consigo confiar nas pessoas, e tenho níveis de dopamina e serotonina incrincrivelmente baixos, uma combinação muito perigosa, aliás.
Eu passo grande parte do meu tempo ouvindo pessoas. E tentando ajudá-las. Eu adoro ouvir histórias, mas não me peça conselhos se não estiver mentalmente capacitado para me ouvir falar. Eu não sei medir palavras. Eu não sei usar de eufemismos. Enfeitar sentimentos não é comigo.
Mas quem é que faz isso por mim? Eu não quero ser entendida e não faço esforço para tal. Eu não conto nada a praticamente ninguém. Detesto falar de mim, e quando falo, sinta-se lisonjeado, por favor. Você é uma das exceções que escolhi para desvendar um pedaço de mim. A verdade é que, na maior parte do tempo, eu queria estar sozinha. E só. Paz.
Ou falta de paz. Não tenho paz. Sou feita de medos e sonhos impossíveis. De aspirações e rigidez. Não me peça para falar quando estou calada. Não me pergunte o que eu tenho, como se isso fosse mudar alguma coisa. Eu tenho nada e tudo ao mesmo tempo. Eu tenho dor e amor. Eu sou solidão. E eu não sei explicar.
Thaynara Araujo.



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